Deli Quiches
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Com papinhas e afeto
Dizem que quando nasce um bebê nasce também uma mãe. No meu caso, a mãe que nasceu tem certa predileção por passar parte das noites e dos finais de semana com as mãos cheias de farinha. Isso, claro, só depois que a nenê vai para o berço, do contrário sei que durante o tempo em que eu estiver na cozinha haverá um serzinho grudadinho nas minhas pernas, se pendurando nas minhas calças até elas quase caírem. Mas a verdade é que sem ela eu nunca teria encarado o forno. Pelo menos não sozinha.
Nos últimos anos, desempenhei o papel de souschef de marido, fazendo companhia e ajudando-o a pensar em menus e a preparar algumas receitas. Mas quem ficava à vontade na cozinha mesmo era ele. Eu estava ali de passagem, turistando entre picotar um talo de cheiro verde e bebericar uma taça de vinho. Quando a Maria fez quatro meses, porém, a coisa começou a mudar. Eu voltaria para o trabalho dali a um mês e, se ela aprendesse a comer logo, minha ausência (e dos meus peitos) poderia ser atravessada sem grandes traumas. Começamos com o mamão papaya e qual foi minha surpresa ao perceber que a voracidade daquela boquinha em direção à colher era bem maior do que rumo ao peito ou à mamadeira. Aquele ótimo começo abriu a porta para que outras frutas viessem e, ao longo dos meses, legumes, verduras, carnes etc. Logo me vi ali, barriga no fogão, preparando algo enquanto imaginava aquela boquinha ávida por mais uma papinha.
Aos poucos fui saindo do campo da baby food para explorar novos caminhos. Vieram os bolos, as tortas, os pães. E vieram as quiches, que é o que eu acredito fazer melhor. O que mais me atrai nas quiches, além do sabor, é sua versatilidade. Uma comida caseira, mas sofisticada, prática, mas saborosa, que pode tanto salvar um dia de correria de uma mãe quanto ser servida para visitas no jantar. Acho que poucas coisas no mundo são mais prazerosas do que servir um prato de comida feito por nós. É um ato de carinho, de comprometimento, de celebração das coisas mais simples, que por isso mesmo são as mais importantes. A escrita deste blog pretende ser um pouco como a comida, caseira e frugal, mas capaz de tornar especial o que poderia ser apenas um dia sem graça.
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